sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Fazer-se "tudo" para todos

Paulo não consegue conter o que descobre e o que pensa em relação à revelação que recebe. Sente um impulso forte para a missão. "Anunciar o Evangelho, afirma o apóstolo dos gentios, não é título de glória para mim; pelo contrário, é uma necessidade que me foi imposta. Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!" (1Cor 9,16). O apelo que sente internamente para anunciar o evangelho é respondido nos inúmeros contatos com pessoas e comunidades, como descreve, por exemplo, o capítulo 16 da Carta aos Romanos.

O evangelho faz o Apóstolo romper todas as barreiras do preconceito e da discriminação, e buscar a todo custo criar e reforçar a comunhão. Para ele, o importante é chegar a todos, considerando a situação concreta de cada um. Por isso afirma: "com os judeus, comportei-me como judeu, a fim de ganhar os judeus; com os que estão sujeitos à Lei, comportei-me como se estivesse sujeito à Lei - embora eu não estivesse sujeito à Lei (...). Com os fracos, tornei-me fraco, a fim de ganhar os fracos. Tornei-me tudo para todos, a fim de salvar alguns a qualquer custo" (1Cor 9,22).

As cartas que escreveu a um público diversificado não se reduzem à transmissão escrita de uma doutrina e nem substituem o contato pessoal. Seus escritos registram também um carinho enorme para com os destinatários e refletem o desejo de estar presente junto às pessoas. É o caso quando escreve aos coríntios, em cuja carta afirma: "Irei até vocês depois de passar pela Macedônia... Não quero vê-los apenas de passagem; se o Senhor permitir, espero ficar algum tempo com vocês" (1Cor 16,5.7). Revela também a intenção de estar com os cristãos de Tessalônica: "Irmãos, já faz algum tempo que estamos separados de vocês, longe dos olhos, mas não do coração, e por isso temos o mais vivo e ardente desejo de tornar a vê-los" (1Ts 2,17). Igualmente, expressa este sentimento a Timóteo: "Escrevo-lhes estas coisas esperando encontrá-lo em breve" (1Tm 3,14).

Paulo comunica por meio de cartas, mas sente o "ardente desejo" de ver, de estar com as pessoas. Mesmo quando se encontra na prisão, busca de alguma forma levar sua mensagem ao destinatário, por meio de algum colaborador, que faz o "contato pessoal". Envia, por exemplo, Timóteo e Epafrodito a Filipos (Fl 2,23-25) e Tíquico e Onésimo a Colossa (Cl 4,7-9).

Seja diretamente ou por meio de outras pessoas, Paulo busca não só passar mensagens, mas também "escutar". Na verdade suas cartas são respostas às necessidades, indagações e situações das comunidades. É o caso, por exemplo, do que escreve na primeira carta aos Tessalonicenses: "Timóteo acaba de chegar da visita que fez a vocês, trazendo boas notícias sobre a fé e o amor de vocês" (1Ts 3,6). Paulo manda a "boa-notícia" mas permanece atento às "notícias" que chegam de seus destinatários. Desta maneira constrói relações sólidas que criam "comunhão".

Por Pe. Valdir José de Castro, ssp

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